Muro que ficou

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Berlin

Olhares sobre a arte



Porque nos sentimos inseguros em expressar nossas opiniões quando estamos diante de uma obra de arte?

Uma arte pode ser vista por vários pontos de vista por isso, quando expressamos nossos pontos de vista diferentes dos outros nos sentimos inseguros. Na verdade, estamos expressando um dos vários pontos de vista de uma obra de arte.
Antonio F. Costella em seu livro, Para apreciar a arte, propõe um roteiro que, pode nos ajudar a fazer uma leitura de uma obra de arte descrita abaixo: 

Ponto de vista FactualO conteúdo da obra de arte é aquilo que ela representa, ou seja, aquilo que ela objetivamente exibe.
A apreensão do conteúdo factual se concretiza pela identificação, em nível meramente descritivo, dos elementos que compõem a obra.
O Ponto de Vista Expressional
O conteúdo expressional é atributo da obra, e não do observador porque as reações do observador não são fruto do acaso.  As cores, os traços, as linhas e formas, relacionados entre si são capazes de  transmitir  sentimentos e absorver o espectador.

Ponto de Vista Técnico
A obra é fruto dos elementos materiais e imateriais, utilizados pelo artista. Refere-se à competência e as qualidades dos materiais.  O material utilizado para execução da obra e o conhecimento da teoria permitem um bom resultado.

Ponto de Vista Convencional
As informações iconográficas possibilitam a fruição da obra de arte de forma mais intensifica.
Baseadas em crenças e apoiados em  fatos históricos por grupos sociais.
Os objetos podem exteriorizam objetivamente aquilo que são e para que servem, de tal modo que eu possa fazer deles  uma identificação direta, mas também podem representar algo além, assumindo o caráter evocativo de alguma coisa neles identificada de maneira indireta.

Ponto de Vista Estilístico
A análise desse ponto de vista não se prende na identificação da corrente artística à qual a obra pertence. Além do conteúdo estilístico coletivo, devemos considerar também o conteúdo estilístico individual, resultante da personalidade do artista.
Para melhor análise devemos aprofundar no estudo da história da arte. Ela nos fornecerá elementos para inserir a obra de arte dentro da corrente artística à qual pertença e nos propiciará informações bibliográficas para avaliar a contribuição devida à personalidade de cada artista.
 
O Ponto de Vista Atualizado
A obra de arte se “completa” com aquilo que nela vemos. O aparato mental desse observador deve ser levado em conta.  Da existência de 7m conteúdo Cada geração, cada ambiente, cada momento cultural, enfim, acrescenta mentalmente à obra algo que não está na obra, mas sim na cabeça dos observadores. Essa noção da existência de um conteúdo atualizado nos auxilia a compreender o porquê de o valor atribuído a uma obra de arte varia no tempo e no espaço

Ponto de Vista Institucional
As instituições como os museus, as universidades e veículos de comunicação, hierarquizam as obras de arte atribuindo a elas o valor institucional. A visão institucional da obra é gerada de maneira formal, enquanto a simples atualização se desenvolve por estímulos sociais espontâneos, nem sempre controláveis, geralmente livres e, com frequência, ate contraditória.

Ponto de Vista Comercial
O valor comercial da obra artística decorre, em parte, do apreço institucional por ela recebido. O enfoque comercial é apenas um entre os vários enfoques sob os quais a obra pode ser observada. Neem mais e nem menos importante que os outros.

Ponto de Vista Neofactual
Está relacionado à pratica da restauração, A mudança material sofrida pelo objeto artístico é denominado como conteúdo acrescido, neofactual. A obra passa a exibir algo originalmente não previsto pelo artista.
 
Ponto de Vista Estético
É uma forma de conhecimento que se faz através dos sentidos e opera antes de atingir o nível da razão.
A capacidade de apreensão do conteúdo estético é aguçada principalmente através da contemplação
Informaçoes retiradas do livro: Para Apreciar a Arte. Roteiro didático de Antonio F. Costella.Editora Mantiqueira. 

Outros critérios de apreciações sobre as obras de arte são também apresentados por Fernando Hernández em: Cultura Visual, Mudanças Educativas e Projeto de trabalho como:Ponto de vista
 
Narrativo
O sujeito desta categoria e o contador de uma história. Utiliza de suas próprias associações e tem como base o que conhece e gosta.
 
Ponto de vista construtivoO sujeito utiliza seu próprio conhecimento sobre o mundo e sua tradição social e moral. Demonstra interesse pelas intenções do artista.
 
Ponto de vista da transição – construtivismo/classificação
Inicia-se um trabalho analítico a partir da classificação de aspectos da obra de arte. Pode ser do tipo histórico (nome ou escolas de arte) ou propriedades formais (forma, cor, técnica).
 
Ponto de vista da transição – construtivismo/interpretativoO sujeito que tem algumas referências acumuladas ou pouca experiência a respeito da arte inventa suas próprias distinções. Decodifica símbolos sem referência (formação ou experiência) estética na qual situa sua analise. Outros espectadores mostram um bom conhecimento técnico e forma, mas carecem de estratégias criticas ou analíticas.
 
Ponto de vista da Classificação
O sujeito adota estratégia analítica e critica que encontra ressonância entre os historiadores de arte. Quer identificar a obra em relação a uma escola, a um lugar, estilo, tempo, origem. Decodifica a superfície da obra a partir de uma serie de indícios utilizando sua bagagem de fatos e experimentações. Assume que o significado da obra de artes e seus conteúdos podem ser explicados e racionalizados.
 
Interpretativo
Este espectador busca seu significado e aprecia as sutilezas da linha, cor e forma. Sabem que a identidade e o valor da obra de arte estão sujeitos a mudanças e que estão procedem de cada novo encontro com a obra, o que permite novas comparações, apreciações e experiências.
 
RecriativoEsse espectador tem uma longa historia de conhecimento e reflexão sobre a obra de arte. Conhecendo a ecologia da obra – tempo, história, interioridade, viagens, questionamentos – traçam uma historia própria na qual combinam não tanto uma comunicação pessoal sobre a obra, mas sim na adequação a conceitos e problemas mais universais. A memória cria uma paisagem do quadro em que se combinam o pessoal e o universal.
 
Querer entender a maneira como o artista expressa, impulsionou um grande numero de pesquisadores em torno desses novos olhares.

Fayga Ostrower em: O processo de criação  nos diz que: “a arte é do indivíduo, mas não é individual, é social”. Isto nos mostra que a forma que a sociedade vai se desenhando, o artista capta estas informações, interpreta e as devolvem em forma de arte como a pintura, escultura, poesia, música, entre outras, cada qual com sua linguagem especifica.Se tivermos atentos ao mundo em que vivemos teremos maiores possibilidades da compreensão da arte em termo significativo.

Como já foi dito, existem várias maneiras de ver a arte. Algumas necessitam de conhecimentos específicos, porém, é possível a interpretação a partir das nossas experiências, nosso contexto histórico para uma analise critica daquilo que vejo. 
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